Na manhã dessa sexta-feira ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro usou seu perfil no Instagram pra compartilhar uma mensagem religiosa logo depois que a Polícia Federal realizou uma operação que teve como alvo seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O versículo escolhido por ela foi retirado do Salmo 33: “Senhor, te amarei e te louvarei por todos os dias da minha vida. Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor.” A publicação foi interpretada por muitos como uma tentativa de manter o tom de fé e resiliência, mesmo em meio à turbulência que vem rondando a família Bolsonaro.
A operação da PF foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do casal, localizada em Brasília. Além disso, Moraes impôs algumas medidas restritivas ao ex-presidente, como a proibição de uso das redes sociais, de manter contato com embaixadores, diplomatas e outros investigados no caso. A decisão veio acompanhada ainda da obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica por Bolsonaro — algo que causou um verdadeiro rebuliço nas redes.
Aliás, as redes sociais praticamente ferveram nas últimas 24 horas. Bolsonaristas mais ferrenhos acusaram Moraes de perseguição política, enquanto opositores do ex-presidente viram nas medidas um avanço necessário nas investigações. É importante lembrar que essa não é a primeira vez que Jair Bolsonaro se vê cercado por medidas do STF. Ao longo dos últimos meses, seu nome apareceu em diversas apurações, principalmente relacionadas a possíveis tentativas de golpe e manipulação do sistema eleitoral.
Outro ponto que levantou polêmica foi uma avaliação feita pelo próprio Moraes sobre o risco de fuga de Bolsonaro. O ministro mencionou a possibilidade do ex-presidente tentar se abrigar numa embaixada de país estrangeiro — o que já aconteceu antes com outros investigados da política nacional. Bolsonaro, por sua vez, negou qualquer intenção de deixar o Brasil ou pedir asilo em representações diplomáticas.
Curiosamente, um dia antes da operação da PF, na quinta-feira (17/7), o ex-presidente chegou a confirmar o nome de Michelle Bolsonaro como pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026. A fala foi feita num evento com aliados e já vinha sendo cogitada nos bastidores do PL como uma jogada estratégica para manter a família com força política ativa. Não se sabe ainda se o episódio desta sexta vai afetar ou impulsionar essa possível candidatura.
A postura de Michelle, ao publicar um versículo em vez de uma nota política, é coerente com a imagem que ela construiu desde os tempos de primeira-dama: discreta, ligada à igreja evangélica e quase sempre evitando confrontos diretos. Mas, ao mesmo tempo, ela vem se posicionando com mais frequência nos últimos tempos, o que pode indicar que está se preparando para ganhar protagonismo nos próximos anos.
É esperar pra ver como tudo isso vai desenrolar. No meio de tanto escândalo, operação e reviravolta, o Brasil continua acompanhando, entre indignações e defesas apaixonadas, os próximos passos de uma das figuras mais controversas da política recente.
E se tem uma coisa que ninguém pode negar é que, goste-se ou não, Bolsonaro e sua família seguem no centro do furacão — e parece que não vão sair dos holofotes tão cedo.