Após liberação de visita, médicos entregam detalhes sobre saúde de Bolsonaro

Nesta sexta-feira, dia 8, a equipe médica autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um novo panorama sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O político, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, tem passado por acompanhamento especial desde que foi vítima daquela facada durante a campanha presidencial de 2018.

Em entrevista ao colunista Paulo Cappelli, do site Metrópoles, os médicos responsáveis explicaram que, apesar da região abdominal de Bolsonaro estar sob controle após a última cirurgia, ele enfrenta agora um problema diferente: esofagite. Essa inflamação no esôfago tem causado vários sintomas incômodos, como azia, queimação, tosse e, o mais irritante, crises constantes de soluço

Um dos médicos explicou com detalhes: “Ele apresenta azia, queimação, soluço e tosse. O que mais atrapalha mesmo é o soluço. Quando o refluxo piora, o soluço também aparece com força. Antes da facada, ele era um touro, muito forte, mas depois virou outra pessoa.” Para tentar aliviar os sintomas, Bolsonaro está tomando dois remédios específicos contra a esofagite.

Os profissionais também destacaram que, com exceção de um episódio de erisipela — uma infecção de pele — todas as internações do ex-presidente desde o ataque de 2018 estão relacionadas às complicações causadas pela facada no abdômen. O principal desafio médico, segundo o especialista, é o seguinte: cada vez que o ex-presidente precisa passar por cirurgia para tratar as chamadas aderências intestinais, novas aderências acabam se formando.

“O abdômen dele está estável no momento, não tem complicações graves agora, mas não é uma situação normal, mesmo depois da cirurgia. Cada vez que mexem ali para corrigir, forma mais aderência. É um círculo vicioso: abrem para consertar e acabam fazendo mais aderência. Lembrando que a faca usada no ataque estava contaminada e rasgou o intestino dele”, explicou o médico.

Essa questão das aderências intestinais é complexa e muito dolorosa, dificultando o processo de recuperação do ex-presidente. É uma condição que, infelizmente, tende a se repetir, exigindo cuidado constante e intervenções médicas frequentes.

Sobre o acompanhamento médico, vale lembrar que a autorização para as visitas da equipe especializada foi concedida pelo ministro Alexandre de Moraes na quinta-feira, dia 7. No despacho oficial, o ministro determinou que, em casos de emergência, a defesa de Bolsonaro terá um prazo de 24 horas para comprovar a necessidade de internação hospitalar.

Esse cuidado reforça a preocupação com o quadro de saúde do político, que, mesmo cumprindo prisão domiciliar, precisa de atenção especial para lidar com as sequelas daquele episódio que marcou sua trajetória política e pessoal.

Nos últimos anos, Bolsonaro tem mostrado sinais claros de que sua saúde sofreu uma transformação profunda após o atentado de 2018. O relato do médico sobre a mudança na vitalidade do ex-presidente — de um “touro” para alguém fragilizado — traduz o impacto que esse trauma causou.

Além do mais, o momento atual do Brasil tem colocado mais foco nas condições de saúde de figuras políticas, especialmente em meio a debates sobre prisão domiciliar, direitos e segurança pública. A saúde do ex-presidente segue como tema de interesse para a opinião pública e a imprensa, que acompanham qualquer novidade com atenção.

Em suma, o quadro clínico atual de Jair Bolsonaro mostra uma melhora no que diz respeito à antiga lesão abdominal, mas evidencia um novo desafio: a esofagite e seus sintomas incômodos. O tratamento médico continua, e o monitoramento está garantido pela autorização do STF, para que o ex-presidente receba cuidados adequados mesmo estando sob prisão domiciliar.

É um cenário que mistura política, saúde e direito, e que deve ser acompanhado com atenção nas próximas semanas.