A noite de quarta-feira pegou fogo no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. Literalmente. Em meio a tensão acumulada após mais de 30 horas de obstrução, a sessão acabou marcada por uma cena inusitada (e pra lá de polêmica): a deputada Camila Jara (PT-MS) empurrou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) durante uma transmissão ao vivo da TV Câmara. Sim, ao vivo e a cores, pra todo mundo ver.
A confusão aconteceu logo depois do discurso de encerramento do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Nas imagens, dá pra ver claramente Camila ao lado de Nikolas e, do nada, ela empurra o colega com força suficiente pra derrubá-lo no chão. Ele, visivelmente surpreso, é rapidamente amparado por outros deputados do PL. Motta até dá uma olhada pra cena, meio sem reação, e vai embora do plenário logo depois.
Nikolas, como já era esperado, não deixou barato. Correu pro X (antigo Twitter) e soltou o verbo:
— Imagina se fosse o contrário? Esquerda sendo esquerda. Camila Jara, parabéns por mostrar ao Brasil quem realmente você é. Obrigado! — disparou.
O episódio dividiu opiniões nas redes sociais. Enquanto uns acharam que Nikolas “mereceu”, outros acusaram Camila de agressão gratuita. A treta ganhou ainda mais destaque porque já vinha sendo um dia tenso na Câmara, com a oposição ocupando a Mesa Diretora
Fim da ocupação e promessa de acordo
Apesar da confusão, o clima começou a esfriar quando a oposição resolveu encerrar a ocupação na noite da própria quarta-feira. Isso aconteceu depois de um acordo costurado com o presidente Hugo Motta. Segundo o combinado, dois projetos de interesse da oposição serão pautados na próxima semana: um trata da anistia aos manifestantes presos (referência clara aos atos de 8 de janeiro), e o outro, do fim do foro privilegiado — tema antigo, que vive ressurgindo em épocas de crise política.
Quem confirmou o acordo foi o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que usou também as redes pra falar sobre o desfecho:
— Há o compromisso de votação de projetos da anistia e do fim do foro privilegiado já na próxima semana — escreveu.
Já o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), foi mais direto com a imprensa. Disse que, com esse acordo em mãos, os deputados resolveram liberar a Mesa Diretora, encerrando o protesto que durava mais de um dia inteiro.
E o tal “Pacote da Paz”?
O movimento da oposição gira em torno de um chamado “Pacote de Paz”, que inclui três propostas principais. As duas primeiras — anistia e fim do foro — já foram negociadas. A terceira, no entanto, é mais espinhosa: o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Só que esse último ponto depende exclusivamente do Senado, que por sua vez também estava em clima de obstrução e pouca produtividade. Ou seja, esse item deve continuar engavetado por mais um tempo.
Em resumo, a quarta-feira foi daquelas que parecem um episódio de série política: teve empurrão, protesto, acordo de bastidor, transmissão ao vivo e, claro, muita polêmica nas redes. E pelo andar da carruagem, os próximos capítulos prometem.